O Karma de deus

Hoje me escreveu um senhor aqui neste espaço. Dizia ele ter as barbas brancas, os passos vagarosos e o tempo corrido nas costas. Me explicava que estava de bem com a vida e que o mundo estava de mal, com ele e com o karma. Karma? Indaguei de pronto, mas logo veio a resposta, como se estivesse ali na minha frente, esperando minha pergunta. O texto parecia ter um proposital vácuo entre as palavras, suficiente para que minha curiosidade se manifestasse. Então, o karma era a dívida acumulada. Disse que todos os atos em descompasso com o zelo humano, as destruições das vidas em nome do progresso e da ordem, os litros de sangue (contados à quinta potência para caber no limite dos caracteres permitidos por este blog), os discursos moralizantes, os súditos inveterados da verdade – tudo – fez com que a conta de Deus aumentasse mais do que os lucros da AIG. Criou-se um problema. Não religioso; criou-se um problema de mercado. Deus já não tinha condições de arcar com a dívida e já se endividava com o FKI, Fundo Kármico Internacional, sede em Bombaim, Índia. Como o Brasil é atualmente credor do Fundo, ironicamente, – e ele tinha razão – O Onipresente era devedor da nação.

Aí então vinha o mote, o que ele queria me alertar com o seu comentário. Realmente o país caminhava para o rumo certo, já que agora poderíamos cobrar legalmente Dele pagar a dívida da pobreza que há tanto tempo nos assombra. Parece uma contradição entre termos, mas o que há de harmônico no reino dos céus?

A exigência do Fundo era simples: passar do modelo linear para o espiral de tempo; investir três séculos seguidos em desenvolvimento humano; abandonar o projeto pelo progresso e abrir as fronteiras com o Oriente.

Corre à boca miúda que Ele não teria aceitado as propostas e já se discutia retaliações.

Não se sabe, mas o certo é que o réu já está há alguns séculos sob júri popular e ainda não recebeu sentença. Fala-se que na Alemanha já foi até condenado à pena capital. Há pena de morte para crimes de karma?

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