A sorte

Temo a sorte por princípio.

Como defensor relutante
Do mundo pessimista
Obriga-me o posicionamento político
De negá-la.

Odeio sem odiar
Ela que não se anuncia
Que não prevê
Que ousa em não se identificar

E mesmo quando falido
Sem alternativa
Ela me pisca lasciva
Eu não me curvo

Serei fiel em não crê-la
E pela honra abstrata
Me fiarei no absurdo
Ainda que pareça óbvia

A sorte é imaterial
Não existe nos fatos
No tempo, nem na história.
É tão falsa que está lá
Fechada e reclusa
Junto de Pandora

Hoje à tarde
Acho que a vi de relance
Olhava pra mim
Como quem não me quer

Mas eu que não sou bobo
Não confio
Em forma insinuante
Nem nos olhos fundos
de mulher

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Uma resposta para A sorte

  1. Priscila Cabral disse:

    mas tu tá um poeteiro… 🙂
    adorei o poema, de verdade…
    mas o pessimismo faz parte… é a psicologia do reverso. hahaha
    beijoooo
    Pri.

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