27 de dezembro de 2012

Milhares de pessoas na Rio Branco! Ativistas bozós de mais alta estirpe da imprensa brasileira gastam suas solas nas calorentas e sujas calçadas do centro da cidade do Rio de Janeiro. Clamam pela paz, pelo fim da violência e, sim, pela liberdade de imprensa! Aos quatros ventos ouvem-se gritos inflamados, olhos esbugalhados, caras-pintadas com a mais respeitosa e digna indignação nos rostos.

“Querem calar a nossa voz! A voz do povo!“, grita um funcionário da Folha de S. Paulo para logo depois realmente perder a voz não acostumada aos altos brados. Conta-se que um pipoqueiro o seguiu por 10 segundos com o olhar e logo voltou a dar o troco à senhora que o esperava.

Na frente da corda com os punhos em riste, desfilam representantes das 6 famílias imperiais da Mídia Real donas de 98,75% do que é in(de)formado ao povo no Brasil. Atrás, membros jaborianos do alto escalão da burocracia real, parecendo czaristas em tempos de revolução, soltam seus sorrisos em meio a contestações explícitas quando saias e vestidos se aproximam.

Quiseram os anjos que no mesmo dia soubessem –  pela milésima vez, as memórias reveladas de um passado de cooperação e muita ajuda. Os Frias, metidos no seu singular, cobravam a conta dos corvettes que alugaram para os generais há 40 anos atrás. Disseram que acharam os recibos numa pasta suja de sangue num porão antigo de uma casa na Marginal. Os valores, rebatem os milicos, já foram pagos em capital simbólico.

Desesperada, a Marinho Royal Family não fez diferente: acordou cedo, tocou o clarim para todo o seu Império e de dentro da Estrela da Morte, em Jacarepaguá, saíram os atores, atrizes, faustos e duartes ávidos por vingança. Relataram com graça os copeiros e contínuos, pagos em dobro esse dia, que muitos dos artistas sacaram suas máquinas digitais quando o ônibus passou pela Cidade de Deus. “Foi aqui que gravaram o filme?!”. Alguns que participaram da filmagem consentiam orgulhosos com a cabeça. “Nossa, que coragem!”.

Nunca uma passeata foi tão bem transmitida. Quarenta e cinco câmeras, incluindo um globocóptero hi-tech distribuíam imagens high definition, 3D e holográficas para todo o país, com replays, closes e tira-teimas narrados ao vivo por Galvão. A tropa de comentarista foi das mais variadas: a atuação dos juízes do STF era de responsabilidade de Arnaldo Coelho; sobre conduta da polícia – pacífica nesse dia, diga-se de passagem – pela equipe de direitos humanos, a dupla italiana Mainardi & Bolsonaro; a moda que vestiam os protesters e a etiqueta ficavam a cargo de Ana Maria Braga e José Soares. Para fechar, os comentários sociológicos eram assinados pelo sociólogo Demérito Magnoli e pelo jornalista Alexandre Gracinha, a Hebe da Globo.

O destaque da transmissão foi a imparcialidade. Só os fatos foram transmitidos. E contra fatos, sabe o senso comum, não há argumentos, certo?

E nunca antes foi vista uma manifestação tão popular.

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Uma resposta para 27 de dezembro de 2012

  1. Paulo disse:

    Caralho!!Foi assim mesmo! Eu lembro. Eu tava na fila do pipoqueiro logo atrás da senhora que ainda reclamou que o troco tava errado. Disse que era espiã da familia Marinho. Foi ela que tirou da bolsa o clarim que soou o alarma!

    ABS! 🙂

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