Vãs sutilezas

Milímetros de redenção numa planta em close. O ócio de segundos entre um discurso e outro. O lapso entre dois olhares tensos. A desatenção necessária de um aluno. O riso sincero de um chefe de estado. A melancolia bruta do palhaço. A sombra que precede o sol lascante. O som lancinante do passar das páginas de um maestro. O dedo sutil que detona a bomba. A lágrima que abafa a discussão. O presente que se espreme entre dois gigantes imaginários: o futuro e o passado. O centímetro inaugural na fronteira de um país. A confusão psicodélica entre a vigília e o sono. A brisa repentina que refresca e se desfaz. O sussurro fugidio e envergonhado. A gota tímida que anuncia a tempestade. As rimas casuais de conversas casuais. A poesia suja do beco. A saia leve que levanta no ricochetear do vento.

Tudo se perde a um meio-dia-útil no centro da cidade.

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