Warm up

Soterrar cego as flores
com as solas dos sapatos
apressadas pela chuva

Emplastar os lírios do campo
com o cheiro forte
de óleo diesel

Sentir-se embaraçado
e negar veemente
qualquer dispersão
no caminho

Ebulir o velho destino
cansado e sem ritmo

Agarrar o mortal
na unha e na carne
até o sangue não existir
– e virarmos imortais

Na pressão dos ponteiros
saborear o cadafalso
que nos seca a angústia

E a cada hora de tédio
lastimar a ausência
das horas doídas

Ser do zodíaco
o mais imprevisível
dos signos

E mesmo no equilíbrio
valer-se dos conselhos
sábios da histeria

Escolher um motivo
na galeria dos inventáveis
– possível ou impossível –

Lembrando ser o porto seguro
dos ares calmos que respira
a mais insensata
forma de rebeldia

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