Mito,

Hoje pensei em você e me vi. Carregado com a América nas costas, escorregando nas esquinas ensaboadas, querendo pôr em prática tudo que em nosso laboratório nós criamos. De repente, como nos sonhos, abrimos a porta e estávamos num outro lugar, apequenados pela crueza da cidade grande. Nós, suburbanos do Méier, ganhando o mundo além-tunel e além-ponte.

Aos poucos, soubemos afiar a lábia política para não sucumbir o coração. Aprendemos a lição que ganharemos pela beleza, mesmo crua, mesmo ácida, mas nunca pela truculência. Assim iniciamos nossa vida: paridos de nosso mesmo bairro, órfãos, mas grávidos de delírios, como uma gravidez de um mundo de merda gerindo o impossível. Galeano que nos diga!

Na sensatez, descobrimos um largo porto a desviar enquanto pudermos. Estamos no trânsito, mito, num trânsito astrológico, kármico, metafísico e o raio-que-o-parta de significados. Mas estamos aí, nas ruas, nas calçadas, sarjetas, bancos (Deus me livre!) e nos campos para recarregar a alma. Somos nostálgicos de um tempo que não aconteceu: saudosistas do futuro! Nada mais bonito que saudar um tempo que nós ainda nem pisamos.

Por isso, leve sua dor como matéria-prima leve daquilo que, sem sentir, já começamos a erguer. Somos conterrâneos paradoxais dessa mesma água e flutuaremos por ela! Vista seu escafandro, mas não se afogue não que nada é pra já…

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