Oração a Baco

Mestre impiedoso dos delírios
Dizei-me os atalhos
E os sentidos
Das veredas minadas por que transito

Esquivai-me das mãos da preguiça
E dos janeiros ebuliços
Guardai-me nos olhos
O viço de um blasé sutil
E delicadamente
Livrai-me da tentação
De um verso mísero
E hostil

Grande mestre dos seres
Terás fiel e confidente
Um herege de fé
Esse que por vezes
Te negou de frente
Mas por entre os dentes
Jurou que te quer

Lançai tua tirania risonha
De um mundano deus
e reconheça o que fiz
Ante a desonra
Do que me valeu
Estar por um triz
Entre os teus

Da tua semelhança
Serei a imagem da poesia
Filiada à tradição do encanto
Vestida sem lembranças
De um manto de fantasias

Aconselha teu aprendiz
A saber tomar o vinho
A mergulhar sem bóia
E a desfiar o linho
de onde vêm tecidos
Os retalhos da memória

Aqui estou
De joelhos sobre as uvas
Querendo-as cruas
Doces e alcoólicas
Prepara-me o vôo
De teus lábios sem freios
A encontrá-la nua
Sedenta e diabólica!

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