Super 8

Escrevo com os burros n’agua de uma geração exibicionista. De um tempo de gentes erráticas e incertas, mas que a indecisão é o mal maior. Minha pinimba é com a estática, com o dinamicamente imutável, com o discurso inebriante que nos leva ao mesmo lugar travestido por quinze minutos de revolução. Somos impropérios palatáveis. Jogamos o jogo até o limite do jogável, quando as regras se impõem, pedem a bola e levam pra casa. E tudo se dinamiza. Imutavelmente deixamos o jogo e começamos outro, dinâmicos, até cairmos no próximo onde nós viramos o árbitro: indeciso, inexato e conciliador. O limite é inconsciente, e talvez já o tenha se tornado subconsciente, para desespero dos analistas, algo estático, físico, repousado, recalcado e materializado na cabeça. Mesmo o tempo já não convive com a factualidade de sua existência; a morte já não é possível pelo sem-fim de opções e a vida é valor nunca antes tão abstrato: se confunde com a noção de universo. E sofremos. Sofremos por não cabermos na vida e, paradoxalmente, ressentimo-nos por mais perseguí-la.

(agosto de 2013)

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Uma resposta para Super 8

  1. livia disse:

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